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O Fim do Drex e a Ascensão dos RWAs: O Mercado Assume o Controle da Tokenização

  • Foto do escritor: Maíra Brito
    Maíra Brito
  • 19 de jan.
  • 3 min de leitura

O governo recuou, mas a inovação não parou. Com o cancelamento do Real Digital, entenda como bancos e empresas estão criando suas próprias "moedas" lastreadas em ativos reais e os desafios dessa nova era.


O ano de 2025 terminou com uma notícia que abalou o mercado financeiro brasileiro: o cancelamento indefinido da plataforma Drex pelo Banco Central. Questões de privacidade e escalabilidade técnica impediram o nascimento do "Real Digital" unificado.

Muitos acharam que isso seria o fim da era da economia tokenizada no Brasil. Estavam errados.

O que estamos vendo em 2026 não é um retrocesso, mas uma privatização da inovação. Diante do vácuo deixado pelo Estado, grandes bancos, gestoras de investimento e fintechs aceleraram seus próprios projetos de RWA (Real World Assets).

Mas o que isso significa para o seu bolso e para a sua empresa?

O que são RWAs (Ativos do Mundo Real)?

RWA é a sigla para a transformação de bens físicos e tangíveis em tokens digitais (arquivos criptografados em uma blockchain).

Imagine um prédio comercial na Faria Lima avaliado em R$ 100 milhões. Vender esse prédio inteiro é difícil e demorado. Mas, através da tokenização (RWA), o proprietário pode dividir esse prédio em 1 milhão de tokens de R$ 100,00 cada. Investidores compram esses tokens e recebem os aluguéis proporcionalmente, direto na carteira digital, sem burocracia de cartório a cada transação.

Isso vale para imóveis, sacas de soja, precatórios judiciais e até obras de arte.

O Fenômeno das "Ilhas Digitais"

O plano original do Drex era que todos usassem a mesma estrada (a rede do Banco Central). Com o cancelamento, cada grande instituição financeira construiu sua própria estrada privada.

  • O Banco A tem sua plataforma de tokenização de imóveis.

  • A Corretora B tem sua plataforma de tokenização de agronegócio.

Isso cria um cenário de "Ilhas Digitais". A tecnologia avançou, mas a interoperabilidade (a capacidade desses sistemas conversarem entre si) se tornou o maior desafio. Se você tem um token do Banco A, nem sempre consegue vendê-lo facilmente na plataforma da Corretora B.

O Novo Papel da Auditoria: Quem Garante o Lastro?

Aqui entramos no ponto crítico da segurança. Quando o governo emitia a moeda, a garantia era o Estado. Agora, quem garante que o token emitido pela "Empresa X" realmente corresponde a uma barra de ouro guardada num cofre?

A Auditoria de Lastro se tornou a profissão mais quente do momento. Para um projeto de RWA ter credibilidade, ele precisa de uma auditoria externa que valide, em tempo real, se o ativo físico existe, se está segurado e se não foi vendido para duas pessoas ao mesmo tempo (o problema do gasto duplo).

Sem o "carimbo" do Banco Central, a confiança agora depende puramente de tecnologia e auditoria privada.

Conclusão: Um Mercado Mais Ágil, Porém Fragmentado


O sonho de uma moeda digital única estatal morreu (por enquanto), mas deu lugar a um ecossistema vibrante e competitivo de ativos privados.

Para empresários e investidores, a tokenização via RWA oferece liquidez jamais vista para ativos que antes ficavam parados. Porém, a cautela mudou de foco: antes, olhávamos para a regulação do governo; agora, precisamos olhar para a solidez tecnológica e a auditoria de quem emite o token.

O futuro é tokenizado, mas ele não será centralizado. Ele será distribuído entre quem tiver a melhor tecnologia e a maior credibilidade.



RWA, Tokenização, Real World Assets, Finanças 2026, Blockchain Privada, Investimentos, Mercado de Capitais, Auditoria de Ativos

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